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  • Marcelo de Souza Lerina

    Moniz Bandeira – Indicação ao Prêmio Nobel de Literatura

    Lembro de uma história que o fundador da Embraer, Ozires Silva, me contou sobre a indicação de brasileiros para o Prêmio Nobel da Real Academia da Suécia. Ele dizia que em conversa com o Rei da Suécia, Ozires questionava por que os brasileiros nunca eram contemplados. O Rei da Suécia foi categórico, “os brasileiros são os primeiros a matarem seus heróis”.

    O Brasil carece de heróis. Heróis verdadeiros, aqueles que realmente pensam e agem pelo Brasil, e por uma história verdadeira sem grandes modelagens utópicas e políticas, mas com um real sentido de valor de Nação.

    Neste contexto a Real Academia da Suécia recebe como indicação ao Prêmio Nobel de Literatura, o nome do brasileiro Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira. Sua indicação foi feita pela União Brasileira de Escritores pelo conjunto de sua obra, que por sinal é de uma extrema riqueza de detalhes em política internacional, geopolítica, sociologia, história e principalmente em pensar o Brasil de forma estratégica.


    Moniz Bandeira é um brasileiro com grande valor acadêmico e intelectual que colabora com o crescimento do Brasil, e principalmente, em contribuir com uma visão estratégica sobre cenários que possam edificar o futuro do país. Além disso é um grande estudioso sobre os Estados Unidos, em especial sobre as atividades de inteligência estratégica e espionagem americana.

    Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, formado em Direito, é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e professor titular de história da política exterior do Brasil no Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB) (aposentado).

    Recebeu também o título de Doutor h. c. das Faculdades Integradas do Brasil – UniBrasil (Paraná) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

    Em 2006, a União Brasileira de Escritores (UBE) elegeu-o, por aclamação, Intelectual do Ano de 2005, conferindo-lhe o Troféu Juca Pato, por sua obra Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque), publicado em vários países, inclusive China.

    Em novembro de 2013, lançou a obra A Segunda Guerra Fria – Geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos Unidos (Das rebeliões na Eurásia à África do Norte ao Oriente Médio), obra esta que levou a União Brasileira de Escritores e a Academia de Letras de Minas Gerais, consultadas pela Academia Sueca, a nominá-lo para o Prêmio Nobel de 2014 e 2015.

    Perseguido durante a ditadura militar, teve de exilar-se no Uruguai (1964-1965), de onde regressou ao Brasil e onde viveu clandestinamente, em São Paulo, até meados de 1967. Esteve preso por cerca dois anos, de novembro de 1969 a outubro de1970 e, depois, em 1973, por ordem do Centro de Informações da Armada (CENIMAR).

    Entre 1971 e 1972, pesquisou e escreveu, grande parte na clandestinidade, a obra Presença dos Estados Unidos no Brasil, que foi best seller em 1973, quando publicado pela Civilização Brasileira, estando Moniz Bandeira ainda preso.

    Autor de mais de 20 obras, algumas das quais publicadas na Rússia, Alemanha, Argentina, Chile, Portugal, Cuba e China, Luiz Alberto Moniz Bandeira foi professor visitante nas Universidades de Heidelberg, Colônia, Estocolmo, Buenos Aires, Nacional de Córdoba (Argentina) e Técnica de Lisboa, entre outras, além de conferencista em diversas universidades, no Brasil e em vários países na América do Sul e na Europa, bem como nos Estados Unidos. É Grande Oficial da Ordem de Rio Branco (Brasil); comendador da Ordem do Mérito Cultural (Brasil); comendador da Ordem de Mayo (Argentina), Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (Portugal) e condecorado com a Cruz da República Federal da Alemanha, 1ª Classe (Das Verdienstkreuz – 1 Klasse – Das Verdienstorden der Budesrepublik Deutschland). Há mais de 18 anos reside na Alemanha.

    O Blog EXAME Brasil no Mundo conversou com o Cônsul Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira diretamente de Heidelberg, onde o mesmo é Cônsul Honorário do Brasil.

    Brasil no Mundo: Como o senhor se sente por ter sido indicado ao Prêmio Nobel de Literatura?

    Moniz Bandeira: Sinto-me honrado pela União Brasileira de Escritores. Sou um autor de ciências sociais com obras publicadas em diversos países, tais como China, onde já saíram três edições do meu livro Formação do Império Americano, em menos de dois anos; Alemanha, onde também será lançada este ano minha obra A Segunda Guerra Fria, pela Springer, uma das maiores editoras da Alemanha, que já publicou outro livro meu; Argentina, onde tenho sete obras publicadas, Rússia, Cuba, e Chile.

    Brasil no Mundo: Sua vasta obra traz, além de questões estratégicas e de geopolítica, um “repensar” o próprio Brasil. Como o senhor avalia o Brasil de hoje e como o senhor projetaria o Brasil de amanhã?

    Moniz Bandeira: Não sou profeta. Sou um historiador e cientista político. E, na verdade, nunca tratei de “repensar” o Brasil. O Brasil está no mundo. Não está isolado.

    Brasil no Mundo: O ensaísta austríaco Stefan Zweig preconizou o termo “Brasil país do futuro”. Na sua visão, o Brasil sempre será o país do futuro? Até quando devemos esperar este futuro?

    Moniz Bandeira: O Brasil seguirá seu caminho. País do futuro é bobagem. Como todos os países, o Brasil existe no presente, mas a história é sempre futuro.

    Brasil no Mundo: Um dos grandes enfoques de seu trabalho está nos estudos sobre os Estados Unidos e a construção de uma potência mundial. Muitas das atividades para esta construção está na intensa utilização dos serviços de inteligência. Como o senhor avalia a espionagem americana de hoje e os impactos pós denúncias de Edward Snowden?

    Moniz Bandeira: Os Estados Unidos sempre espionaram. As revelações de Snowden foram importantes, porque se trata de um operador do sistema NSA. Mas sobre a existência desse sistema e como opera tratei amplamente em meu livro Formação do Império Americano. Para mim não era novidade.

    Brasil no Mundo: Grande parte de suas obras são adotadas na formação de futuros diplomatas na Academia do Itamaraty. Como o senhor avalia o atual momento do Itamaraty e da Política Externa brasileira?

    Moniz Bandeira: Não sei se são adotadas. Sei que são lidas- E o Itamaraty, com um diplomata de peso, o embaixador Mauro Vieira, à frente, continuará a ter um grande papel na execução da política externa brasileira.

    Brasil no Mundo: Hoje o senhor exerce o cargo de Cônsul Honorário na cidade alemã de Heidelberg, quais são as principais atividades de um cônsul honorário brasileiro em uma cidade alemã?

    Moniz Bandeira: No momento, dou mais orientação aos brasileiros que me procuram.

    Brasil no Mundo: Projetos Futuros? Novas obras?

    Moniz Bandeira: Aos 79 anos, com sérios problemas cardíacos, não posso ter projetos futuros. Só espero terminar a obra que estou a escrever e em que trato das questões da Ucrânia, Líbia, Estado Islâmicos et alt. O título é “A desordem mundial – O espectro da total dominação: Guerras por procuração, caos e catástrofes humanitárias”

    P.S.: Abaixo a lista das principais obras de Moniz Bandeira:

    2013 – A Segunda Guerra Fria.

    2009 – Poética.

    2005 – Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque), também traduzida e publicada na China e na Argentina.

    2004 – As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos (De Collor a Lula).

    2003 – Brasil, Argentina e Estados Unidos (Da Tríplice Aliança ao Mercosul), também traduzida e publicada na Argentina.

    2000 – O Feudo – A Casa da Torre de Garcia d’Ávila: da conquista dos sertões à independência do Brasil, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 601 pp.

    1999 – Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. II (2ª. revista, aumentada e atualizada de Brasil-Estados Unidos: A Rivalidade Emergente, São Paulo, Editora SENAC, 224 pp.

    1998 – De Martí a Fidel – A Revolução Cubana e a América Latina, Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 687 pp.

    ______ Brasil – Estados Unidos no Contexto da Globalização, vol. I (Terceira edição revista de Presença dos Estados Unidos no Brasil – Dois Século de História e Brasil, São Paulo, Editora SENAC, 391 pp.

    1995 – Brasil e Alemanha: A Construção do Futuro – Brasília, Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais / Fundação Alexandre de Gusmão, 1995 , 697 pp.

    1994 – O “Milagre Alemão” e o Desenvolvimento do Brasil – As Relações da Alemanha com o Brasil e a América Latina (1949-1994) – Editora Ensaio, São Paulo, 246 pp. Traduzida para o alemão: Das Deustche Wirtschaftswunder und die Brasilien Entwicklung, Frankfurt, Vervuert Verlag, 1995.

    1993 – Estado Nacional e Política Internacional na América Latina – O Continente nas Relações Argentina – Brasil – São Paulo, Editora Ensaio, 304 pp; 2ª. ed., 1995, 336 pp. 1995.

    1992 – A Reunificação da Alemanha – Do Ideal Socialista ao Socialismo Real – São Paulo, Editora Ensaio, 182 pp. 2ª. ed. revista, aumentada e atualizada, 2001, Editora Global/Editora da Universidade de Brasília, 256 pp.

    1989 – Brasil – Estados Unidos : A Rivalidade Emergente – 1955-1980 – Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 328 pp; 2ª. ed., São Paulo, Editora SENAC, 1999, 224 pp.

    1987 – O Eixo Argentina-Brasil (O Processo de Integração da América Latina) – Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 118 pp.

    1985 – O Expansionismo Brasileiro (A Formação dos Estados na Bacia do Prata – Argentina, Uruguai e Paraguai – Da Colonização ao Império) – Rio de Janeiro, Editora Philobiblion, 291 pp. – 2ª . ed., 1995, Editora Ensaio /Editora da Universidade de Brasília, São Paulo, 246 pp. 3ª ed., 1998, Editora Revan/Editora da Universidade de Brasília, Rio de Janeiro, 254.pp.

    _____ Trabalhismo e Socialismo no Brasil – A Internacional Socialista e a América Latina – São Paulo, Editora Global, 56 pp;

    1979 – Brizola e o Trabalhismo – Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1ª e 2ª edições, 204 pp.

    _____ A Renúncia de Jânio Quadros e a Crise Pré-64 – São Paulo, Editora Brasiliense, 180 pp.

    1975 – Cartéis e Desnacionalização (A Experiência Brasileira – 1964-1974) – Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 207 pp.; 2ª ,1975; 3ª ed., 1979

    1977 ‑ O Governo João Goulart – As Lutas Sociais no Brasil (1961-1964) – Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 186 pp.; 2ª ed. dezembro de 1977, 3ª, 4ª e 5ª ediçõe 1978; 6ª ed. 1983; 7ª ed. revista e aumentada, 320 pp. 2001.

    1973 – Presença dos Estados Unidos no Brasil (Dois Séculos de História) – Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 470 pp. 2ª ed., 1979; 3ª ed. São Paulo, Editora SENAC 1998, 391 pp.

    1967 – O Ano Vermelho – A Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil – Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 418 pp.; 2ª ed., Editora Brasiliense, 1980.

    1963 – O Caminho da Revolução Brasileira – Rio de Janeiro, Editora Melso, 187 pp.

    1961 – O 24 de Agosto de Jânio Quadros – Rio de Janeiro, Editora Melso, 78 pp.

    1960 – Retrato e Tempo (poemas) – Salvador, Livraria e Editora Progresso, 57 pp.

    1956 – Verticais (poemas) – Rio de Janeiro, Serviço de Documentação do Ministério de Educação e Cultura, 44 pp
     
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