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Fundador: Marcelo de Souza Lerina
Casal raíz: João de Araújo de Aragão Bulcão (1834) e Augusta Emília Moniz de Aragão Bulcão (1842)
Local de referência: São Francisco do Conde (BA) e Lavras do Sul - RS - Brasil

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  • Marcelo de Souza Lerina

    Bulcão ilustre - Joaquim Inacio de Sequeira Bulcão (1º Barão de São Francisco)

    JOAQUIM INACIO DE SEQUEIRA BULCÃO (Tn.2) - 1º Barão de São Francisco por Decreto Imperial de 1º de Dezembro de 1824 e com grandeza pelo de 5 de abril de 1826.

    Nascido na frequesia de Nossa Senhora do Monte do Recôncavo, no Município de São Francisco do Conde, na Bahia, em 14 de Julho de 1768.

    Fez seus primeiros estudos em Lisbôa, Portugal, e a começo pretendeu seguir carreira eclesiástica, chegando a ordenar-se clérico de ordens menores, sendo porém, a sua vocação a vida agrícola, logo a abandonou , seguindo para a França e depois para a Inglaterra , onde concluiu os seus estudos e se especializou em agricultura, a profissão de seu pai e dos seus antepassados.

    Regressando ao Brasil em 1789, dirigiu-se imediatamente para o Município de seu berço, onde foi depois a principal figura e o mais abastado e progressista agricultor, sendo proprietário dos melhores e mais afamados engenhos de açúcar, além de várias fazendas de criação de gado e de plantação de cana-de-açúcar.

    Aos trinta anos de idade, devido ao seu trabalho e grande tino administrativo, já era um dos mais ricos agricultores do Brasil-colônia e nessa qualidade chegou a fazer empréstimos à Fazenda Real.

    Em 1792 requereu e obteve por Carta Régia de D. Maria I, de 17 de Março do mesmo ano "Brasão de Armas e Nobreza e Fidalguia", carta essa que foi registrada no "Cartório do Registro de Brasões de Armas de Nobreza e Fidalguia dos Reinos e suas conquistas", da cidade de Lisbôa, capital do Reino, no livro IV, fls. 246.

    Ao surgirem as primeiras manifestações pela independência do Brasil em 1979, colocou-se francamente ao lado do movimento esboçado e com José da Silva Lisboa, depois Visconde de Cairú. Padre Francisco Agostinho Gomes, Cipriano José Barata de Almeida, Francisco Moniz Barreto de Aragão, Domingos da Silva Lisboa, José Borges de Barros e o Tenente Hermogenes Francisco de Aguilar Pantoia fundou em 14 de Julho do mesmo ano, no arrabalde da Barra a sociedade secreta “Cavalheiros da Luz”, primeiro templo maçônico da Bahia, destinada a tornar conhecida a situação geral da Europa e a combater sob o influxo de ideias democráticas o despotismo dos governos absolutos.
    Descoberta em Agosto de 1798 a célebre conspiração republicana da Bahia que passou à História com os nomes de “Conspiração dos Alfaiates” ou “Conspiração dos Búzios”, teve o seu nome bem focalizado, entretanto, devido ao seu valor, à grande fortuna de que dispunha e ao seu extraordinário prestígio político e social não foi nem ouvido no processo instaurado.
    Foi durante o ano de 1801 Vereador do Senado da Câmara da cidade do Salvador, capital da Bahia, eleito na forma da Lei vigente e escolhido pelo Alvará Régio de 27 de Dezembro de 1800.
    Vagando-se, em 1802, o cargo de Capitão-mór da antiga Vila de São Francisco da Barra do Sergi do Conde, atual cidade de São Francisco do Conde, foi em 4 de Agosto nomeado para exercê-lo no qual anos mais tarde viria prestar grandes serviços à Nação.
    A sua palavra e opinião sempre foram ouvidas e acatadas sobre assuntos de agricultura e comércio e ainda em 1807 foi consultado pelo Senado da Câmara de Salvador a propósito da representação dirigida ao Princípe Regente D. João relativa ao estado em que se encontravam essas classes na Bahia, tendo a sua resposta a mais larga repercussão pela franqueza e sensatez das suas ponderações.
    Agitada em 1822 a campanha da Independência do Brasil, alistou-se desde os primeiros momentos entre os seus mais avançados e dedicados propagandistas, sendo na Bahia a primeiro que tratou de proclamar a Independência do Brasil, e logo após os lutuosos acontecimentos ocorridos na capital, em 19 e 20 de Fevereiro do mesmo ano, recusou obediência ao famoso brigadeiro português Inácio Luiz Bandeira de Melo, recebendo em seus engenhos e sustentando os oficiais e soldados que desertavam a ali os arregimentou até a explosão do movimento libertador.
    Na sua adorada terra, a Vila de São Francisco, foi o chefe do movimento revolucionário e não descansou um instante. A caixa instituída para sustentar a campanha, ofereceu desde logo grande soma em dinheiro e pôs à disposição da mesma todos os seus valiosos bens. Dispondo de numerosa escravatura, uma das maiores do recôncavo, organizou um Regimento que vestiu e armou. Constituiu outros batalhões, enviou viveres e armas para os acampamentos. Retirou os tambores dos seus engenhos para com os mesmos serem fundidos canhões.
    Em 29 de Junho de 1822, foi o promotor da reunião do Senado da Câmara de São Francisco para o reconhecimento da D. Pedro como Regente constitucional do Brasil e seu Defensor perpétuo e foi quem inspirou a organização do Conselho interino do Governo da Província instalado em Cachoeira.
    Criado pela Carta Imperial de 5 de Dezembro de 1822 a “Junta Governativa da Bahia”. Foi escolhido para um dos seus membros, cargo que exerceu com grande destaque de 23 de Junho de 1823 a 19 de Janeiro de 1824, quando foi empossado o primeiro Presidente da Bahia Dr. Francisco Vicente Viana, depois 1º Barão do Rio de Contas.
    Foi em virtude de tão notórios e inestimáveis serviços que os bahianos daquela época o cognominaram “PATRIARCA DA LIBERDADE BAHIANA” E M.A.B., (Manoel Alves Branco, depois 2º Marquês de Caravelas) em seu “ODE AO DIA DOIS DE JULHO”, e Ladislau dos Santos Titára, Alferes do Estado Maior do Exército Libertador, no poema “PARAGUAÇÚ”, descrevendo, ambos, a inolvidável luta, lhe fizeram as mais honrosas referências, citando em versos magistrais a sua grande obra.
    Procedidas em 1824 as eleições para a lista constitucional dos que deviam ser escolhidos Senadores do Império, foi um dos eleitos, não logrando, entretanto, ser nomeado pelo Imperador D. Pedro I, o que motivou a mais forte e acerba crítica diante dos seus inestimáveis serviços a causa da independência.
    Ainda em 1824 foi eleito membro do Conselho Geral da Província para o período de 1828 a 1830, cujo mandato desempenhou até o seu falecimento com indiscutível destaque, tendo apresentado entre outros projetos de interesse geral, o criando um Colégio de ensino secundário na Vila de São Francisco, instalado em seu Convento, e outro estabelecendo casas de caridade em todas as freguesias da Província para o recolhimento de indigentes.
    Solicitando o Governo da Província por intermediação da Capitão Felisberto Caldeira Brant o seu apoio e intervenção para o restabelecimento da ordem na capital da Bahia, alterada pelos graves acontecimentos de 25 de Outubro de 1820, dos quais resultaram o bárbaro assassinato do Coronel Felisberto Gomes de Caldeira, imediatamente colocou à disposição do mesmo, homens, armas e munições, além de dinheiro e mantimentos para a sufocação do movimento sedioso. Convocou o Senado da Câmara de São Francisco, que reuniu em 4 de Novembro, afirmando a solidariedade de referida Vila ao Dr. Francisco Vicente Viana, depois 1º Barão do Rio das Contas , Presidente da Província, para a manutenção da ordem e acolheu em seus engenhos os oficiais perseguidos pela soldadesca revoltada, entre os quais o Major Manoel Joaquim Pinto Pacca, nomeado para substituir o Coronel José Antonio da Silva Castro no comando do batalhão conhecido por “Periquitos”, poupando-lhes, assim a vida, da sanha sanguinária dos sublevados.
    Era Grande do Império, Cavalheiro da Imperial Ordem de Crsito, Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, tinha o título do Conselho do Estado e a medalha de ouro da “Restauração da Bahia”, possuindo desde 1799 o Hábito de Cristo, por ter sido o primeiro senhor de engenho a empregar maquinismos para a preparação do açúcar.
    Casado em 08 de Setembro de 1786 com D. Joaquina Maurícia de São Miguel e Aragão, filha do Capitão-mór José Pires de Carvalho e Albuquerque e de D. Leonor Pereira Marinho e faleceu na cidade de Salvador, capital da Bahia, em 24 de Maio de 1829, sendo sepultado na Igreja do Convento de São Francisco da mesma cidade, tendo os seguintes filhos:
    Qn.1 - Capitão-mór José de Araújo de Aragão Bulcão, 2º Barão de São Francisco.
    Qn.2 – Inácio de Araújo de Aragão Bulcão (1803)
    Qn.3 – Joaquim Inácio de Aragão Bulcão, BARÃO DE MATOIM (1804)
    Qn.4 – Antonio de Araújo de Aragão Bulcão, Agricultor e senhor do famoso “Engenho de Água”
     
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