Família Belato > história da família

Site criado em 17/01/2012
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Plano: Pacote Gratuito - Validade indeterminada
Fundador: Francisco de Paula Belato
Casal raíz: Angelo Giuseppe Bellato (1850) e Maria Chinellato di Angelo detta Vanin (1852)
Local de referência: Monsenhor Paulo - Minas Gerais - Brasil
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Bellato era uma antiga família presente em Mogliano Veneto, província de Treviso, norte da Itália, desde 1500.

Provavelmente o mais antigo Bellato registrado na Paróquia de Santa Maria Assunta é Michiel, nascido em 1572. Outro que se tem notícia é Pedro Bellato, nascido no primeiro semestre do ano de 1600 e trabalhava para os nobres Spinelli, no Palácio Marocco, Via Marignana, onde sempre ia a família de Alvise Bellato.

Depois de muito tempo os Bellatos firmaram presença na região, e no Censo Paroquial - "STATO DELLE ANIME" - de 1835, consta que na casa número 174, dos Marignan, habitaram Ângelo Bellato (1798), sua mulher Maria Castellaro Bellato deta Roncon (1798) e os filhos Pasquale (1822), Luigia (1825), Lorenzo (1832) e Antonio (1833). Dados do livro "Invito alla Stória di Mogliano" vol. 5 pg. 38 a 41v do ilustre Prof. Dr. Giuseppe Venturini.

Ângelo Giuseppe Bellato nasceu no dia 26 de outubro de 1850, às 02 hs., em Mogliano Veneto, província de Treviso ao norte da Itália.

Era filho de Pasquale Bellato e de Domenica Bonazza Bellato, casados em 14 de fevereiro de 1849. Foi batizado no dia 27 de outubro de 1850, na igreja da Paróquia de Santa Maria Assunta por D. Botaccin, e teve como padrinho Giuseppe Renim, conforme registro número 87.

Casou-se com Maria Chinellato di Angelo detta Vanin em 1872 ou 1873, não se sabe a data exata.

Deste casamento nasceram seis filhos: Attílio (1874), Pedro Ernesto (1876), Armindo (1878), Antonio (1880), Amália (1882) e Sílvio (1885).

Em 1887, aos 37 anos de idade, perdeu sua mulher, Maria Chinellato Bellato, que faleceu com 33 anos de idade.

Em 1891 o filho primogênito Attílio, aos 17 anos, não sabemos por que razão embarcou no porto de Gênova com destino ao porto de Nova Yorque nos Estados Unidos. De lá seguiu para o porto de Vera Cruz no México, e finalmente foi para a cidade do México, capital daquele país.

Ainda por cinco anos Ângelo continuou a trabalhar para o Barão, nas adjacências de Mogliano, bairro Marocco, onde hoje se encontra o Park Hotel Cormorano, Via Marignana, 45/A. O nobre era por demais exigente e, em determinada ocasião, chamou Ângelo à sede da propriedade para reclamar que seu filho Pedro não fizera reverência quando ele, o Barão, passara de carruagem através de sua fazenda. Revoltado com a prepotência do Barão, Ângelo, já com 42 anos de idade, decidiu que não ficaria trabalhando para o mesmo.
Ângelo Giuseppe procurava ser um homem independente e seguia as idéias revolucionárias de Sílvio Pélico, literato italiano que passou nove anos nas prisões de Espielberga, onde escreveu o livro "As minhas prisões".

Aproveitou que o governo do Brasil estava enviando passagens àqueles que quisessem emigrar e conseguiu, via Consulado Brasileiro, as passagens para embarcar com destino ao país. Deixando sua filha Amália, de quase 11 anos de idade com os avós maternos, veio para o Brasil com os outros filhos: Ernesto (Pedro), Ermínio (Armindo), Antonio e Eugênio Sílvio. Em janeiro de 1893, foi de carroção para a cidade de Belluno, onde tomou o trem na estação de Feltre, com destino ao porto de Gênova.

No dia 10 de janeiro de 1893 embarcou no vapor "Rosário" com destino ao Rio de Janeiro (Brasil).
Permaneceram vinte e quatro dias no mar, o período que durou a viagem e o ROSÁRIO tinha como destino o Porto do Rio de Janeiro no Brasil.
Foi uma viagem sacrificada, dada a fragilidade e a falta de conforto do Vapor. O filho Ernesto (Pedro) procurou serviço na cozinha e como ajudante de cozinheiro passava bem na alimentação. A comida era servida num espécie de gamela, da qual todos se serviam, bebendo vinho tinto, ainda de vinícola italiana. Ermínio (Armindo) enjoava muito com o balanço do navio, o que obrigava Ângelo a comprar água mineral, o que fazia com a venda de alguns objetos pessoais trazidos da Itália.

Chegando ao Brasil o Vapor Rosário, foi impedido de atracar no porto do Rio de Janeiro, pelo fato de que a febre amarela, "febre gialla", grassava pela cidade, fazendo inúmeras vítimas. O Comandante do vapor acatou as determinações das autoridades brasileiras, fazendo com que o "Rosário" seguisse para o Porto de Santos no estado de São Paulo, inaugurado em 2 de fevereiro de 1892, portanto um ano antes da chegada de Ângelo Giuseppe ao Brasil.

Desembarcando em Santos no dia dois de fevereiro de 1893, Ângelo Giuseppe Bellato e seus filhos vieram de trem pela serra de Santos até São Paulo, onde se alojaram na HOSPEDARIA SÃO PAULO, conforme registro número 37/73.

Passado algum tempo, Ângelo constatou que fazendeiros, através de seus capatazes, procuravam imigrantes para trabalhar em suas fazendas de café para substituir a mão de obra de escravos libertados pela Lei Áurea. Logo que tomou conhecimento que o emprego seria, praticamente na base da escravidão, Ângelo ficou indignado com o fato, pois havia deixado a Itália para fugir dos Barões italianos. E tinha razão o já sofrido italiano, a ilustre escritora Zuleika M.F. Alvim, em seu livro editado em 1986, sob o título "Brava Gente!", comenta sobre o ambiente hostil que os italianos enfrentavam quando vieram para o Brasil, a ponto de quarenta por cento daqueles que imigraram para o Brasil, entre 1870 e 1920, terem voltado para o seu país ou fugido para a Argentina. Diz que os italianos que foram para as fazendas de São Paulo trabalhavam de sol a sol, eram proibidos de sair de casa e de se reunir. Para eles, uma consulta médica custava tanto quanto um hectare de terra. As mulheres sofriam agressões sexuais sem que a polícia brasileira ou os diplomatas italianos tomassem providências. Não podiam recorrer a religião, como faziam na Itália, pois os padres eram raros e levavam meses para visitar as fazendas.

Um fato correlato apudou-o a tomar uma decisão. Ocorreu que um calabrês havia, segundo informações, rasgado uma bandeira brasileira e a polícia paulista, a cavalo, de espada em punho agredia a tudo e a todos indistintamente e mandando que os italianos voltassem para a Itália, aos gritos e com palavras de baixo calão.

Ângelo "il nonno" dizia para os filhos que se ficassem naquela cidade de São Paulo, acabariam todos na prisão.

Da Hospedaria, saíram algum tempo depois, dirigindo-se para Poços de Caldas, no Estado de Minas Gerais , onde trabalhou por uns tempos como pedreiro, fazendo muitas construções, com tijolos de sua fabricação, ainda novidade para aquela época, principalmente nas fazendas. À tarde, onde existe a famosa "Fonte dos Macacos", Ângelo e seus filhos se lavavam na água morna que descia por uma velha telha colonial. Quando seu filho Sílvio queria ajudá-lo como servente, Ângelo dizia que seu caçulinha não iria trabalhar tão pequeno, e sua função ficava restrita a picar fumo e encher o cachimbo do pai, que não gostava de interromper o serviço, pois assentava dois mil tijolos por dia, ocupando para isso, dois serventes.

De Poços de Caldas, Ângelo Giuseppe e seus filhos transpuseram a serra de São Domingos atingindo a cidade de Campestre. Ernesto Pedro , aos 18 anos, casou-se em 27 de janeiro de de 1894 com Mariana Izaura da Silva, de 21 anos, filha de Rita Maria da Piedade, na presença do Juiz de Paz e Casamentos sr. Manoel Ramos Nogueira.

Foram, mais tarde, para a cidade de Machado (MG) e lá viveram alguns anos.

Lá, na tarde ensolarada de 18 de agosto de 1894, Ângelo casou-se em segundas núpcias com Maria Constância Marques, filha de João Pinto da Costa e Mariana Candida de Lima. Oficiou a cerimônia o Padre José de Souza Ribeiro sendo testemunhas Francisco Theodoro de Moraes e Avelino de Souza Dias.; Pedro e Mariana tiveram seu primogênito José.

Em fins da década de 1890 Santo Antonio do Machdo era pólo de destino dos imigrantes italianos que vinham para o Estado de Minas Gerais trabalhar nos cafezais. Assim Ângelo Giuseppe ficou conhecendo a família de Alfonso Baldin recém chegado a cidade. Ficaram sabendo da existência da vila de Ponte Alta, terra de gente ordeira e trabalhadora e resolveram mudar para aquela localidade.

Assim no final do ano de 1896, Angelo Giuseppe e os filhos Armindo e Antônio seguiram para a vila de Ponte Alta, hoje Monsenhor Paulo, deixando em Machado os filhos Sílvio e Pedro com sua esposa Mariana e o filho José.

Em Ponte Alta Armindo casou-se com Maria Baldim, filha de Alfonso Baldim e Anna Tronchin. O casamento foi realizado em 20 de fevereiro de 1897 pelo Padre Paulo Emílio Moinhos de Vilhena, na igrejinha de taipa da vila de Ponte Alta, tendo como testemunhas os senhores Antonio Salotti e Jorge Nicolau. O outro filho Antonio casou-se com Emiliana Orcinda da Conceição, em 01.09.1904, na igreja de São Sebastião na cidade de Cambuquira. A cerimônia foi realizada pelo Padre Paulo Emílio Moinhos de Vilhena sendo testemunhas os senhores João de Souza Matos e João de Brito Pimenta. Antonio trabalhou em Campanha, na padaria do Luiz Pereira Serrano e que, por muitas noites, com o filho do patrão, ia dançar em Cambuquira, dai ter conhecido Emiliana, filha do gerente do Parque das Águas e sua futura esposa. Em 1905 foram para a Cidade do México a chamado do irmão mais velho Attílio que possuía uma padaria naquela cidade.

No México, Antonio e Emiliana foram pais de um belo garoto, do qual foi enviada uma fotografia, montado num burrico e usando um vasto "sombrero". Mas, Antonio, por ocasião da Revolução Mexicana, escrevia que por muitas vezes, amigos seus caiam varados por balas, mortos em plena rua tempos depois não deu mais notícias.

Em 2003 com nosso site na internet ficamos sabendo, através de sua bisneta Lilliana Bellato Gil, socióloga da Universidade do México, que Antonio deixou grande descendência naquele país.

Por volta de 1897, Pedro e sua família retornaram para a cidade de Campestre, junto seguiu Sílvio que casou-se com Altina Fernandes, em 8 de setembro de 1906 na igreja daquela cidade. Possivelmente no ano de 1908 Sílvio e Altina vieram para Ponte Alta.
Por volta de 1915 Pedro, Mariana e filhos que estavam em Campestre, vieram para a vila de Ponte Alta, onde nasceu o filho Carlos que faleceu em 5 de novembro de 1916, com 11 meses de idade vitimado por meningite.

O "nonno" residiu até falecer, em sua casa, situada na chamada "rua de Baixo", hoje rua Lourenço Pierrotti, onde seu filho do segundo casamento, Zequinha, morava também. Em certa ocasião pediu a esse filho que construísse uma capela no terreno da casa, em homenagem a Santo Antonio de Pádua (Padova) o que não foi concretizado.

Ângelo Giuseppe foi uma pessoa humilde, mas decidida, honesta, muito trabalhadora, de forte personalidade, excelente pai e que tentou substituir, dentro do possível, os carinhos da falecida mulher, junto aos seus filhos. Foi acometido por uma melancolia profunda, causada pelo afastamento de sua terra natal, e, pelo anseio extremado de retornar a ela. Sempre, ao cair da tarde, pegava sua concertina, um instrumento semelhante ao acordeon, e executava canções italianas.

Ficou doente no ano de 1919. Pediu para ser confessado pelo Pe. Paulo Emílio Moinhos de Vilhena, que em sua bondade, foi de Campanha a Ponte Alta a cavalo, enviado por Sílvio e por lá chegou a noite bastante fria e, após tomar um cálice de vinho do Porto, foi para o quarto a fim de confessar Ângelo Giuseppe. Terminada a confissão, disse para os presentes: "Estou feliz, pois hoje atendi em confissão um de meus melhores amigos".

Sentindo que se aproximava o fim, Ângelo pediu que chamassem sua nora Maria Baldim que rezou com ele o Pai Nosso, no dialeto veneto:

“Padre Nostro Che te si in ciel
Santificã sia el to nome
Vegna a noantri el to regno
Sia fata la to volontã
Cossi in cielo come in tera.
El pan nostro di ogni dï
dane ncó.
Perdoname le nostre ofese
Como noantri perdonemo
A chi ne gã ofendesto
Non assarme cascar in tentassion
Ma libérame de ogni mal
Cossi sia.”

Ângelo Giuseppe Bellato, grande devoto de Santo Antonio de Pádua faleceu no dia do santo, 12 de junho de 1919. Morreu aos 68 anos de idade, tendo vivido 26 anos no Brasil. Morreu vítima de "encômodo do coração e sem assistência médica".

"Assento nr. 307

Aos dose dias do mes de Junho do anno de mil novecentos e dezenove, neste districto de Ponte Alta, termo e Comarca da Cidade da Campanha Estado de Minas Geraes, em meu cartorio compareceu Armindo Bellato comerciante residente neste districto e perante as testemunhas Nello Totti e Luis Pellegrinetti residentes neste districto declarou que no dia anterior, digo, declarou que nesse mesmo dia as quatro horas, no próprio domicilio, falleceu proveniente de encommodo do Coração e sem assitência médica seu pae Angelo Bellato de sessenta e oito annos de idade, filho ligitimo de Paschoal Bellato e Domenica Bellato e esposo de Maria Constancia Bellato. Foi expedida a guia de enterramento para o cemitério da Sede do districto, do que para constar lavrei este termo que commigo assignam o declarante e as testemunhas. Eu, Laurindo Penna da Camara, official do Registro Civil, o escrevi eassigno.
Laurindo Penna da Camara
Armindo Bellato
Nello Totti
Luis Pellegrinetti”



Seu sepultamento, no cemitério velho de Ponte Alta, onde hoje está a Escola Estadual Professor João Mestre, foi acompanhado pela Banda de Música, da qual era maestro o conhecido músico apelidado por "Zé Negrino"e teve enorme acompanhamento.
Foi um enterro triste e bonito, em razão das homenagens a ele tributadas.

Autores: Dr. José Augusto Bellato e
Francisco de Paula Belato